‘Novo’ presidente do Vasco, Eurico já virou a mesa pelo Flu e já defendeu o Bota: “Se depender de mim, Botafogo não será rebaixado”

Jose Havelange Cup
Eurico é a figura que simboliza um período marcado por viradas de mesa, dirigentes que invadiam o campo para pressionar árbitros, o famoso vale-tudo para que o clube saia vitorioso, ainda que para isso seja necessário rasgar regulamentos, esquecer compromissos e deixar o torcedor brasileiro em último plano.

A situação do Vasco é deprimente, já que o presidente Roberto Dinamite é, de longe, a maior decepção da história do clube. Fez uma gestão tão ruim que destruiu ainda sua imagem de ídolo nos tempos de jogador. Mas o clube não precisava fazer um retorno tão lamentável a um caminho obscuro.

Os sócios que escolheram Eurico Miranda como presidente do Vasco agiram como aqueles que pedem a volta da ditadura militar quando estão descontentes com a política nacional. Vale lembrar que Eurico já foi deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, filiado ao então PPB (Partido Progressista Brasileiro), em uma época na qual a legenda mudava constantemente de nome para se desprender de seu passado. O PPB, atual PP, já foi PDS e Arena. Sim, o partido da ditadura militar.

Por esses pequenos detalhes, aliados às lembranças de como as coisas funcionavam no Vasco e no futebol brasileiro quando Eurico mandava e desmandava em São Januário, é que se forma uma nova fase obscura e sombria em um esporte que já está tão desgastado neste país.

Não faz nem seis meses do 7 a 1 aplicado pela Alemanha sobre o Brasil em pleno Mineirão, mas o futebol brasileiro levou nesta terça uma sonora goleada das mãos dos eleitores vascaínos. Será que agora teremos novas defesas abertas das viradas de mesa?

Em novembro de 1999, quando Internacional e Botafogo estavam ameaçados pelo rebaixamento no Brasileirão, Eurico disparou essa, ainda antes do campeonato acabar:

“Se depender de mim, nenhum dos dois será rebaixado. Por isso, vou fazer de tudo para mantê-los na primeira divisão no próximo ano. Clubes com a tradição, a torcida e o investimento do Botafogo e do Inter não podem cair”

Duvida? Está lá, na Folha de S.Paulo de 9 de novembro de 1999, há 15 anos. E não era a primeira, já que ele foi um dos principais articuladores da virada de mesa que manteve o Fluminense na Série A em 1997.

O caso de 1999 acabou culminando com o rebaixamento do Gama e a batalha judicial que criou a Copa João Havelange. Nela, o Vasco mandou a final, contra o São Caetano, em São Januário. O estádio estava lotado, o alambrado cedeu após uma briga na torcida e muita gente ficou ferida. A confusão criada pelo cancelamento do jogo fez com que Eurico entrasse em atrito com a Globo.

O que ele fez? Mandou o Vasco entrar na nova partida, marcada para janeiro do ano seguinte, com o logotipo do SBT na camisa, em provocação à Globo. Só que o regulamento era claro e proibia terminantemente a exibição de logomarcas de empresas de comunicação na Copa João Havelange, sob pena de exclusão do time. O que aconteceu? Nada, pois Eurico estava acima do bem e do mal.

Agora, amigos, temo que estejamos voltando a esses tempos. Mas é importante destacar uma coisa: ele que comece a abrir asas, e o povo largará o futebol. Antigamente havia essa facilidade de mandar e desmandar. Hoje, qualquer “palhaçada” será respondida com queda de audiência e público nos estádios. Afinal, entre Eurico e Cristiano Ronaldo, nem preciso dizer com quem os jovens, que são o futuro do esporte no país e importante público consumidor, ficarão.

Fonte: Torcedores.com

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