Guilherme, pouco espaço no Grêmio, mais escalado no Bota: ‘Surpreendi muita gente’

Dos oito reforços do Botafogo em janeiro, certamente Guilherme foi o menos badalado. “Por que apostar em um jovem reserva do Grêmio se nossa base acabou de ser campeã brasileira?”, questionavam os torcedores. Em pouco tempo, o atacante, de 22 anos, mostrou os motivos. Se no Tricolor tinha pouco espaço, hoje é o jogador que mais entrou em campo do elenco na temporada: 46 jogos.

Em Porto Alegre, Guilherme disputou 19 partidas em 2016 sem nenhum gol. Pelo Alvinegro, já jogou quase quatro vezes mais, considerando os minutos em campo, balançou a rede cinco vezes  e deu cinco assistências. Não é titular, mas é o “12º jogador” do Botafogo. Rótulo dado por Jair Ventura e adotado pelo atacante. Não é o ideal, mas ele se orgulha.

– Creio que o Grêmio não esperava essa evolução. Na verdade, nem eu esperava essa evolução tão rápida. Claro que eu esperava evoluir, mas não tão rapidamente. Foi tudo muito rápido aqui. Fico feliz com as oportunidades e com a confiança que recebi. Acho que foi por isso que tive uma adaptação rápida. Surpreendi muita gente – afirmou.

 
Guilherme já fez cinco gols e deu cinco assistências no Botafogo (Foto: Vitor Silva / SS Press / Botafogo)

Guilherme já fez cinco gols e deu cinco assistências no Botafogo (Foto: Vitor Silva / SS Press / Botafogo)

Nesta quarta-feira, às 21h45 (de Brasília), pelo jogo de ida das quartas de final da Libertadores, Guilherme vai reencontrar o Grêmio, clube que chegou aos 16 anos e onde tem contrato até o fim de 2019 – está emprestado até dezembro, sem direitos econômicos fixados.

 

Antes do jogo, o atacante conversou com o GloboEsporte.com e mostrou personalidade. Garantiu que o coração e de toda família será alvinegro, elogiou Renato Gaúcho, revelou o interesse do Botafogo em mantê-lo e rechaçou o rótulo de fominha: “No meu pé, a bola não queima”.

Confira a entrevista completa:

Você chegou sem badalação e hoje é o atleta que mais jogou pelo Botafogo em 2017.
É importante. Eu não imagina que esse meu começo aqui seria tão bom. Hoje sou uma espécie de 12º jogador do Jair e sei da minha importância para o grupo. Para mim é muito gratificante. 

Guilherme marcou cinco gols pelo Botafogo

Guilherme marcou cinco gols pelo Botafogo

Gosta do rótulo de 12º jogador?
Na verdade, o melhor seria sair jogando. Não posso esconder isso. É claro que todos querem jogar. Mas o Jair tem as escolhas dele, somente 11 começam. Sempre vou para os jogos sabendo que as chances de entrar são enormes. É bom ali no aquecimento ouvir a torcida gritar o meu nome. É gratificante. Sei que tenho a confiança do treinador e da torcida.

Relação com a torcida
É bom isso. Você entra em campo sabendo que os caras estão ao seu lado, que eles apostam que com a minha entrada o time pode ter uma evolução.

 

Como é reencontrar o Grêmio em um jogo tão importante?
É especial. Mas hoje eu visto a camisa do Botafogo. Sei que vai ser um jogo muito difícil. Na minha opinião o Grêmio é o time que joga o melhor futebol do Brasil. Mas também temos um time muito forte, um elenco muito unido. Tenho certeza que serão grandes jogos. Tomara que a gente sai vencedor desse confronto.

 
Guilherme no Grêmio em dois momentos: campeão da Copa do Brasil em 2016 e na base do Tricolor  (Foto: infoesporte)

Guilherme no Grêmio em dois momentos: campeão da Copa do Brasil em 2016 e na base do Tricolor (Foto: infoesporte)

Quando chegou ao Grêmio?
Cheguei com 16 anos. Sou de São Paulo, mas fiz a base no Grêmio. Eu jogava no Cotia F.C., o pessoal me observou, me chamaram para um teste e acabei ficando.

Ainda tem muitos amigos no Grêmio?
Sim, tenho. Há duas semanas, quando eu soube que a molecada do sub-20 vinha jogar no Rio, fui acompanhar o jogo para rever meus amigos e comissão. Muitos deles moraram comigo em um alojamento em Porto Alegre. Tenho uma amizade muito grande e um carinho especial por todos. Não só pela galera do sub-20, mas por todos no grupo profissional.

Acha que o Grêmio se surpreendeu com a importância que você ganhou no Botafogo?
Sim. Provar, eu quero provar para mim mesmo. Sei do meu potencial. Não foi por acaso que cheguei ao Grêmio, não é por acaso que hoje visto a camisa do Botafogo, uma camisa pesada. 

Creio que o Grêmio não esperava essa evolução. Na verdade, nem eu esperava essa evolução tão rápida. Claro que eu esperava evoluir, mas não tão rapidamente. Foi tudo muito rápido aqui. Fico feliz com as oportunidades e com a confiança que recebi. Acho que foi por isso que tive uma adaptação rápida. Surpreendi muita gente.

Acha que essa evolução se dá pelo número de oportunidades?
No Grêmio eu também tive oportunidades. Acho que foram quatro jogos como titular, quando jogamos com os reservas. Por acaso, a única oportunidade em que fiquei no banco com o time reserva foi no jogo contra o Botafogo, na última rodada do Brasileiro. Também entrei em alguns jogos, mas não como no Botafogo.

O aproveitamento aqui está sendo muito melhor, tive muito mais oportunidades. Com isso, os gols e assistências começam a aparecer. É a confiança. Isso é o mais importante

O que o Botafogo significa hoje para você?
O Botafogo está sendo um divisor de águas na minha carreira. Creio que está sendo uma oportunidade para eu crescer no cenário nacional e também no internacional. Quanto mais você joga, mas você aparece. Fui recebido de braços abertos por todos: direção, comissão, jogadores e torcida. É um clube que ficará marcado na minha vida. É um clube muito especial para mim.

Seu contrato de empréstimo acaba em dezembro e não tem passe fixado. Como está sua cabeça quanto a isso? Já houve algum tipo de conversa?
Não posso esconder que já tivemos conversas, até porque o Botafogo quer contar com o meu futebol no próximo ano. Mas tenho que manter a cabeça focadinha até dezembro e deixar isso para o meu empresário e para os clubes. Minha cabeça agora está focada no Botafogo. Meu contrato com o Grêmio vai até 2019.

 
Guilherme aproveita passeio de barco com Roger no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução / Instagram)

Guilherme aproveita passeio de barco com Roger no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução / Instagram) 

Vai reencontrar o Renato Gaúcho. Por que acha que não teve tantas oportunidades e foi liberado por ele?
O Renato foi muito “sangue bom” comigo. Ele foi honesto. Antes da minha saída, ele me chamou. Ele disse que não estava me liberando porque eu não estava nos planos, mas porque ele via que eu poderia ter um crescimento no Botafogo. E isso seria bom para mim, para ele e para o Grêmio. Gostei muito da atitude dele. No foi um simples “boa sorte”. Ele conversou comigo. Foi um incentivo. Ele disse que estaria na torcida por mim no Botafogo.

Conversou com ele recentemente?
Falei com ele no último jogo contra o Grêmio, no Nilton Santos, quando jogamos com o time alternativo. Ele me parabenizou e disse que estava muito feliz com as minhas atuações. Disse que estava me acompanhando e me elogiou bastante.

Apesar do carinho, parte da torcida do Botafogo te considera “fominha”. Já acompanhou nas redes sociais e em aplicativos de mensagem a corrente “toca a bola, Guilherme”?
A torcida do Botafogo gosta de mim, mas é claro que sempre tem uns que levam para a brincadeira. Eu não levo em consideração essa brincadeira, até porque não é a torcida do Botafogo. São cinco ou seis caras que fazem essa brincadeira de “toca a bola, Guilherme”.

Considera-se um jogador individualista?
É a minha característica. No meu pé, a bola não queima. Independentemente se eu for enfrentar um time de Série D ou se for uma final de Libertadores, para mim é indiferente. O torcedor, às vezes, não entende. Tem jogador que se esconde. Eu gosto de ficar com a bola, gosto de aparecer e gosto de participar. Às vezes o torcedor interpreta de uma forma errada. É a escolha de alguns. Não levo isso para dentro de campo.

 
 
Guilherme com João Paulo e Roger no Pão de Açúcar. Roupa fez sucesso:

Guilherme com João Paulo e Roger no Pão de Açúcar. Roupa fez sucesso: “Personalidade” (Foto: Reprodução)

Fonte: GE

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