Gerson, o baile e a camisa

Gérson final 67
No dia 5 de novembro de 1968, em Álvaro Chaves, os reservas do Brasil haviam treinado contra o time misto do Fluminense. No segundo tempo do coletivo, como as camisas (vermelhas) estavam ensopadas, quiseram trocá-las, porém, como não havia mais daquela cor, tiveram que usar camisas tricolores.
No dia seguinte, na Gávea, Aymoré Moreira formou dois times para um treino de dois toques. Para um, entregou camisas vermelhas. Para o time de Gérson, camisas rubro-negras. A ideia partira do superintendente da CBD, Mozart Di Giorgio, que ouvira reclamações do Flamengo por causa da repercussão das fotos de Paulo Henrique com a camisa do Fluminense. Gérson apanhou a sua camisa sem reclamar, entrou em campo, mas não vestiu. O treino não começava. Alguém então informou a Di Giorgio que o craque, em 1963, jurara nunca mais vestir a camisa do Flamengo. Di Giorgio imediatamente ordenou a troca por camisas verdes. Perfeito!
Acrescento do Mundo Botafogo: O caso começou a partir do desentendimento de Gérson com o treinador e a direção dos cathartiformes, o que o levou ao Botafogo, que pagou a sua transferência com o dinheiro da venda de Amarildo para Itália. Ademais, Gérson alegou que o ex-clube que representou lhe devia dinheiro – e não perdoou os comportamentos habitualmente canalhas dos cathartiformes. Como bom ‘botafoguense’, Gérson fez o clube do nojo bailar uma vez mais ao sabor de chuteiras alvinegras. Há cinquenta anos José Figueiredo escreveu, em O Globo de 13 de Abril de 1964, uma crônica intitulada ‘Nélson: Gérson se vinga com olé humilhante’. O texto foi o seguinte (copiado de imagem digitalizada do Blog do PC Guimarães):
Nélson Rodrigues tirou do match Botafogo 2×1 Flamengo, pelo Torneio Rio-São Paulo, o seu personagem da semana: “Há um jogador que, de repente, tomou conta do jôgo e virou a figura obsessiva e fatal da peleja. Refiro-me a Gérson. Nos últimos dez minutos, só êle existiu em campo. Sabe-se que Gérson é um virtuose, um estilista. Ninguém discute a qualidade, a imaginação, o talento do seu jôgo.
Mas coisa curiosa! Sábado não foi o futebol de Gérson que o promoveu, o consagrou. Foi o olé final. Com o placar de 2×0, Gérson desencadeou o baile mais feroz, mais ímpio, mais sádico, mais humilhante do mundo. Eu vi, a meu lado, um rubro-negro chorando de ódio impotente.
Gérson foi, sábado, ao Maracanã, expressamente para se vingar do Flamengo, que, dizem, lhe deve Cr$ 15 milhões.”

Sublinhando Carlos Vilarinho: PERFEITO!

Fonte: Mundo Botafogo

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