Blog questiona planejamento: ‘Precisamos debater o setor de inteligência do Botafogo’

Damian Lizio. Treino do Botafogo em General Severiano. 02 de marco de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo.

Damian Lizio. Treino do Botafogo em General Severiano. 02 de marco de 2016, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo.

No início da temporada de 2016, o Botafogo anunciou uma interessante revolução: a criação do “setor de inteligência”, um grupo de analistas que integra a comissão de futebol do clube. Na verdade, o departamento já existia, mas trabalhava apenas na análise do próprio Glorioso e seus adversários. A partir deste ano, a filosofia se estendeu à avaliação de possíveis reforços.

Eu, enquanto entusiasta do estudo tático e matemático do futebol, achei a ideia incrível. Teoricamente essa filosofia, se bem implementada, ajudaria a reduzir a margem de erro e a evitar contratações equivocadas – algo costumeiro nos últimos muitos anos em General Severiano. No entanto, falta transparência e, infelizmente, qualidade no trabalho executado.

Explico: não há o menor indício de que as contratações foram feitas com algum critério de avaliações. Na pré-temporada, a impressão era que, se passasse algum gringo calçando chuteiras, seria puxado direto para o treino. Foram dados três tiros no escuro: Gervasio Nuñez, Damian Lizio e Joel Carli.

Os meias, como pudemos constatar em pouquíssimos minutos de jogo, são deploráveis. Rapidamente foram afastados com a justificativa de que fariam “reforço muscular”; logo depois, voltaram a frequentar o banco, mesmo sem entrar no decorrer das partidas. Nessa semana, embora a diretoria negue veementemente, rolou a notícia de que ambos não faziam mais parte dos planos do técnico Ricardo Gomes e que negociações seriam muito bem vistas.

O zagueiro, no entanto, vem sendo uma grata surpresa. De reserva do Quilmes, que flertava com a zona do rebaixamento do Campeonato Argentino, o nosso Jim Carrey saltou pro time titular do Botafogo e tem agradado o técnico e a torcida. É, por enquanto, o único acerto do “setor de inteligência” – que, pra mim, mais parece um tiro certo no escuro.

No mais, é possível ver que os critérios continuam os mesmos: quando não contratamos jogadores por DVDs ou vídeos montados no YouTube, a tática é buscar nomes que brilham contra o próprio Botafogo ou seus rivais – algo que já foi visto em nomes como Thiago Marin, Ziquinha, Alexsandro, Adriano Felício, Diguinho(ex América), Tony e muitos outros, e está prestes a se repetir com Marquinhos, do Macaé. Um jogador que nem mesmo num clube de Série C consegue ser unanimidade e, por muitas vezes, já ficou no banco.

Enquanto isso, assistimos o Botafogo perder excelentes contratações como Thiago Ribeiro, encostado no Atlético-MG e repassado ao Bahia, por empréstimo, pelo Santos, detentor do seu passe. Um exemplo de negociação sem custos e com qualidade. Enquanto isso, nossa diretoria bate nas mesmas teclas: “não depende só do Botafogo”, “não temos dinheiro”, “o mercado está agressivo”, entre outras.

Não há como negar que o trabalho administrativo vem sendo bem feito. Aderimos ao Profut, cumprimos à risca o Ato Trabalhista e conseguimos as CNDs depois de muitos anos. Até mesmo o trabalho de Ricardo Gomes, que era questionável em 2015, evoluiu bastante. No entanto, pra sobreviver no mundo do futebol atual, só com muito estudo, criatividade e competência de análise.

Quem são as pessoas do “setor de inteligência”? O que elas fazem? Qual o método utilizado pra analisar contratações? Falta transparência e falta competência. Ao passo que não temos verba pra investir e nem margem pra errar, contratações como Lizio e Gervasio incham a folha salarial e impossibilitam a chegada de jogadores de qualidade.

Perder oportunidades como o Thiago Ribeiro, que encaixaria perfeitamente em nosso esquema tático e as funções que ele exige, é imperdoável. As contratações devem se basear no plano de jogo proposto, e não o contrário. Sendo assim, é muito importante a participação de Ricardo Gomes na escolha dos reforços – algo que, sinceramente, duvido que tenha acontecido no caso dos gringos.

Acorda, Fogão!

Fonte: Blog Preto no Branco – Pedro Chilingue -ESPN FC

Sobre o autor
Botafoguense desde a Escandinávia. Jornalista e torcedor de arquibancada. Desde sempre vivendo 24 horas o nosso glorioso.