Ele foi ‘Pérola Negra’ de Joel e cobiçado na Espanha, mas ficou 7 meses desempregado

bruno thiago

O meia Bruno Tiago era o amuleto do técnico Joel Santana no Botafogo, em 2011. Estava em uma fase tão boa que, além de ser titular na equipe, recebeu uma proposta tentadora do Atlético de Madri. O negócio não aconteceu e depois disso tudo começou a desandar. Acabou emprestado para diversos clubes e menos de três anos depois estava desempregado.

Ao invés de estar atuando por um gigante espanhol e duelando com astros como Cristiano Ronaldo e Messi, ele se viu sem sem time e vivendo de favores dos familiares.

“Minha esposa, que é advogada, e meu sogro me ajudaram muito nesse período. Me deram suporte nesse período e seguramos as pontas. Minha mulher uma pessoa que sou grato, porque na hora que precisei, cumpriu o papel de esposa e mulher. Ela é meu tesouro junto com meus três filhos”, disse, em entrevista ao ESPN.com.br.

“Estamos há cinco anos juntos. A gente brinca que ela pegou mais momentos ruins do que bons (risos). Existe um certo preconceito de um ‘negrão’ estar com uma loira, mas a gente sabe o que passou. A gente vê a vida de outro jeito e sou grato, quando a gente tá bem e ganhando é fácil, difícil é ver quem são os amigos quando você está por baixo”, prosseguiu.

“A gente perde um pouco a cabeça e pensei em parar de jogar futebol porque é um meio corrompido. Vê aquela coisa de quem ama estar no meio e futebol hoje é só negócio e não tem mais o amor. Isso me desmotivou demais, ia trabalhar em outra coisa, ela falou pra eu segurar as pontas”, desabafou.

A maior tristeza do volante foi ter descoberto mais de três anos depois o interesse dos colchoneros no seu futebol. “Eu tive um contrato de quatro anos com o Botafogo e muitas coisas só fiquei sabendo agora porque não me falavam nada. O empresário que estava conduzindo o négócio pediu mais do que o Atlético queria pagar. Pior que o Botafogo tinha aceitado. Como eu pertencia a um grupo de empresários isso tudo dificultou”, lamentou.

Ele acredita que a negociação frustada complicou sua permanência em General Severiano. “Pelo fato de não ter dado certo essas negociações, acabei encostado. Eu estava bem, mas queria jogar e pedia para ser emprestado”, comentou o atleta, que passou em três anos por Joinville, Boavista e Madureira.

Ex-vendedor de sacolé virou “Pérola Negra”

Bruno batalhava desde menino para realizar seu sonho de ser jogador de futebol. Vendia sacolé em partidas amadoras em São Luís-MA para poder comprar camisa e chuteira. Como demonstrava talento desde cedo, mesmo adolescente, já atuava no meio dos adultos. Depois de passar pelo Sampaio Corrêa, foi para o Nacional-PR.

Ainda rodou mais um pouco até conseguir a projeção que tanto queria. Foi destaque do Madureira no Campeonato Carioca de 2010 antes de chegar ao Botafogo. “Queria atuar em um clube grande e morar na ‘Cidade Maravilhosa’. Aprendi demais por lá. O Joel Santana me indicou e joguei pouco com ele no primeiro ano. Mas ele confiava em mim e pediu para renovarem meu contrato mesmo assim. Me disse que eu seria o amuleto dele em 2011”, relembrou.

Em uma equipe que tinha nomes como Loco Abreu, Jéfferson e Arévalo Rios, Bruno recebeu um apelido carinhoso do “Papai Joel”.

“Ele me chamava de “Pérola Negra” porque sempre tem um jogador que era xodó dele. Então voltei no ano seguinte e correspondi as expectativas, daí ficou esse apelido. Ele é um pai para mim no futebol, tenho grande respeito e admiração”, elogiou.

De tão querido pelo folclórico treinador, o volante recebia alguns mimos. “Eu gosto demais de pão de queijo e café. Algumas vezes ele batia no meu quarto e me entregava um pãozinho e um afézinho. Também, mandava eu dormir e desligar computador ou televisão, parecia um pai dando bronca e conselho nos filhos. Todo mundo adorava o Joel”, rememorou.

Uma das melhores passagens que ele guarda desse período foi de uma vitória por 3 a 2 no clássico diante do Fluminense. Na partida válida pelo Campeonato Carioca, o goleiro Jéfferson defendeu um pênalti e os atacantes Fred e Loco Abreu se desentenderam dentro de campo.

“Na preleção ele sentou na cadeira ao contrário e imitou o Michael Jordan. Ele fazia os gestos batendo bola de basquete no chão: Vamos marcar assim e quando eles menos esperarem …’pow’, é cesta!”, Ele deu um pulinho, fez como se tivesse marcando um ponto e falou assim: ‘Vão lá meus filhos, vamos ganhar do Fluminense’. Ele cortou a preleção na hora, todo mundo riu porque ninguém esperava isso. Ele foi genial, distraiu a galera porque um clássico é muito tenso”, analisou.

Ele foi obrigado a contar piada antes de jogo

Depois do período desempregado, Bruno hoje vive um período muito mais tranquilo em sua vida. Acertou na temporada passada com o Cafetaleros, que disputa a segunda divisão mexicana. Na terra do lendário seriado “Chaves”, ele passou por uma situação inusitada em sua vida: precisou virar comediante por um dia.

“No México, a gente treina no dia do jogo e alguém precisa contar uma piada. Era norma do teinador, Carlos de los Cobos, que pedia pra gente fazer isso para descontrair. Eu não sabia desse costume e na minha estreia pediram para eu contar um ‘chiste’. Eu não entendi e começei a falar sério pra caramba, coisas bonitas, de motivação e todo mundo rindo”, acrescentou.

“Eu sem entender nada porque estavam garagalhando, daí outro brasileiro soltou: Ô cabeçudo, ‘chiste’ é piada em espanhol (risos). Fui eleito então o melhor do chiste depois disso”, disse aos risos. A carreira de humorista de Bruno Thiago não terá continuidade, pois o treinador piadista saiu do comando da equipe. “Agora o técnico é um argentino tradicional, acabou essa história (risos)”, garantiu.

Fonte: ESPN.com.br

Sobre o autor
Botafoguense desde a Escandinávia. Jornalista e torcedor de arquibancada. Desde sempre vivendo 24 horas o nosso glorioso.