Meu amor pelo Botafogo definitivamente não é só futebol

Quem não gosta de futebol dificilmente entenderá esse sentimento que nutrimos pelo nosso clube. Sendo mais específico: difícil traduzir em palavras o amor e a paixão que sinto pelo Botafogo. A ofensa ao clube é uma ofensa pessoal, rebatida com o ímpeto de quem defende a própria a honra. O elogio é assimilado com o orgulho de quem recebeu um prêmio. O sentimento é incondicional, não importa a divisão, vitórias ou títulos, o que não significa dizer que haja indiferença em relação aos resultados. As quedas são sentidas como fracassos pessoais e a glórias comemoradas como se eu tivesse participação direta sobre elas. É uma relação na qual não existe ciúme nem posse, muito pelo contrário. Se mais pessoas nutrem esse mesmo sentimento pela Estrela Solitária, ah que coisa boa!! É uma afinidade, ponto de partida para o inicio de uma amizade.
E se alguém me reconhece pelo Botafogo ou me associa a ele? Que orgulho ser identificado dessa forma ou diretamente vinculado a ele. “Leandro? O Botafoguense? Sim, claro. Conheço”, “ Ontem lembrei de você vendo uma matéria sobre o Botafogo”, “ Não ligo nada para futebol mas torci para o seu Botafogo”.
Sou imensamente grato ao Botafogo pela sua existência e pelas emoções que me deu ao longo da vida . Vibrei com o fim do jejum no gol do Maurício em 89, comemorei o Bi em 90 com o gol do Carlos Alberto Dias, vi o timaço de 92 deixar escapar o brasileiro em uma única partida, vi o time ganhar na raça a Copa Conmebol de 93 (único carioca a ganhar um campeonato sul-americano no Maracanã), fui a loucura em 95 com o título de Campeão Brasileiro, comemorei o municipal de 96 e a épica vitória nos pênaltis sobre a Juventus da Itália no mesmo ano que nos garantiu o título da Teresa Herrera. Curti a “Dimbalada” no carioca de 97 e o tetra do Rio-São Paulo no ano seguinte. Senti a tristeza de perder em casa a Copa do Brasil de 99. Sofri com o rebaixamento em 2002. Vibrei com a bomba do Sandro e os gols do Camacho selando nossa volta em 2003. Quase morri do coração em 2004 escapando do rebaixamento na última rodada. Comemorei o estadual de 2006 com o time comandado pelo artilheiro dos gols bonitos: Dodô. Aplaudi de pé o futebol do time do Cuca em 2007 (um pecado não ter conquistado nenhum título mas será um time sempre lembrado). Sofri com a perda dos estaduais de 2007/8/9 mas fui compensado com a redentora cavadinha do Loco Abreu em 2010, valeu por todos os anos anteriores.  Vi Seedorf se render a magia da camisa alvinegra, entrar para o hall de campeões pelo Glorioso no estadual de 2013 e ajudar o time a se classificar para Libertadores. Vivi intensamente a Libertadores de 2014, chorei com os mosaicos, curti a competição. Caímos novamente nesse ano e levantamos, como sempre fazemos, logo no ano seguinte. Em 2016 surpreendemos a todos e vibrei muito com a classificação para Libertadores. E agora, 2017, vivo a Libertadores. Fui à loucura com as defesas do Gatito que nos credenciaram para a fase de grupos.

Flávio Ramos, o menino que teve a idéia de fundar o clube junto com seus colegas de classe, talvez não tenha tido a dimensão do que estava fazendo. Ele simplesmente estava criando o objeto de paixão de milhões de pessoas.

Para quem acha que isso tudo é bobagem e que é algo unilateral eu garanto que não é meus amigos. O Botafogo sabe da minha existência, sabe da nossa existência, apaixonados torcedores, e valoriza isso.

O futebol nos proporciona momentos inesquecíveis e nos dá ensinamentos para a vida: nos ensina a ganhar, nos ensina a perder, nos ensina a lutar e nos compensa de nossas frustrações pessoais. Torcer pelo Botafogo é viver isso. É ficar 21 anos sem ganhar um título e não perder a esperança. É ter orgulho da sua história, reverenciar seus ídolos, saber que nada é fácil mas que no final a Estrela Solitária sempre brilha porque nada nem ninguém é capaz de ofuscá-la. Definitivamente não é só futebol.

Talvez alguns achem loucura, outros entendam e tantos outros se identifiquem. Não importa… Sentimento não se explica, é emoção e não razão.
Pedindo licença ao mestre Armando Nogueira fecho essa coluna com uma frase dele:

“O Botafogo sou eu mesmo, sim senhor”

Sobre o autor
Leandro Costa, botafoguense apaixonado desde sempre e para sempre. Do gol do Mauricio em 1989, passando pelo inesquecível título Brasileiro de 1995 com o gol do Túlio Maravilha, pela redentora cavadinha de Loco Abreu e chegando até a batalha de Assunção. Sempre ao lado do Fogão.