Jornal inglês detona: ‘Se Pelé tivesse nascido nos anos 20, como Heleno de Freitas, as pessoas nunca teria ouvido falar nele’

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Um homem com um histórico superestimado, ajudado pelas circunstâncias, que não se sente suficientemente reverenciado e que tem um grande apreço por vender sua imagem e ser garoto-propaganda. Em artigo publicado nesta quarta-feira, o jornal inglês The Telegraph questiona se Pelé é realmente o maior jogador de todos os tempos e suas atitudes após se retirar dos campos profissionais.

O texto – com o título “Como e por que a mística e reputação de Pelé como o maior jogador da história do futebol foram exageradas” – refaz toda a trajetória de Pelé no futebol e questiona quão válidos foram os feitos atribuídos ao ex-atleta do Santos. Um dos exemplos é a Copa do Mundo. O camisa 10 esteve presente nas campanhas dos títulos mundiais de 1958, 1962 e 1970. Porém, cita o periódico, não foi protagonista em nenhuma delas. E, na verdade, ganhou apenas dois títulos, já que pouco fez na campanha do Chile, quando se machucou.

“Seu histórico nas Copas, embora impressionante, é suscetível ao exagero. O fato de estar machucado em 1962 significa que ele venceu, efetivamente, duas Copas do Mundo, e não foi um atleta fantástico em nenhuma delas. Em 1958, Didi foi eleito o melhor jogador do torneio. Em 1970, o título veio muito graças ao esforço de uma equipe, com Tostão e Jairzinho tão importantes quanto Pelé”, diz o texto.

O jornal diz que muitos brasileiros estão cientes de que Pelé talvez não seja o maior de todos, citando que as gerações mais antigas também citam Heleno de Freitas, Garrincha, Jairzinho ou Zizinho como grandes atletas do futebol nacional. E que a televisão, ao lado de livros e filmes, teve uma grande participação para transformar Pelé no que ele é hoje.

“A Copa de 1970 foi a primeira a ser televisionada mundialmente em cores, e Pelé teve sorte por surgir justamente quando a mídia de massas catalisou uma explosão sem precedentes na escala global do futebol. Se tivesse nascido nos anos 20 e não nos anos 40, como Heleno de Freitas, do Botafogo, provavelmente nenhuma imagem sua teria sobrevivido. E tal como Heleno de Freitas, a maioria das pessoas provavelmente nunca teria ouvido falar em Pelé.”

O artigo também lembra que o “Rei do Futebol” virou uma figura controversa por causa das suas declarações, sendo alvo de paródias e brincadeiras. Para reforçar o argumento, o autor do artigo transcreve uma fala de 2002 do técnico Luiz Felipe Scolari. “Acredito que Pelé sabe nada sobre futebol. Não fez nada como treinador e suas análises são erradas. Ele é um ídolo, mas suas análises não valem nada.”

Outros dois fatores sobre a personalidade de Pelé são ressaltados no texto. O primeiro deles é a visão que Pelé tem de si próprio. De acordo com o artigo, ele se vê como um ícone cultural, como o cantor Elvis Presley, e um grande libertador, como o ativista Martin Luther King, e que isso explica porque ele é tão preocupado em dar forma a sua própria lenda.

“No continente americano, Elvis Presley e Martin Luther King têm belos museus. No Brasil, não há Museu do Pelé. Há algo errado, penso eu”, cita o texto, transcrevendo uma parte da autobiografia escrita por Pelé – o museu do ex-jogador foi inaugurado em 2012.

O Telegraph ainda cita o apetite voraz do ícone do futebol brasileiro por patrocínios. Segundo o periódico, Pelé viaja para até quatro continentes por semana para promover marcas das quais é garoto-propaganda.

“Todos precisam colocar comida na mesa, ok. Mas, contratualmente, ele não é obrigado, por exemplo, a incluir o símbolo da Mastercard em sua autobiografia. Mas ele o fez de qualquer maneira. Por quê? Talvez a resposta esteja em sua personalidade: racional, possessivo e ferozmente competitivo.”

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